Oficina 1

Os Fanzines: para uma existência criativa e ideária interdisciplinares

 Ministrante: Gazy Andraus – Coordenador e professor do Curso de Artes da FIG-UNIMESP, Doutor pela ECA/USP (prêmio HQMIX de melhor tese de HQ de 2006), Mestre pelo curso de Artes Visuais no IA da UNESP/SP e arte educador pela FAAP/SP, membro pesquisador do Observatório de HQ da USP e autor independente de HQ autoral de temática fantástico-filosófica.

E-mail: gazyandraus@gmail.com  ; http://tesegazy.blogspot.com/

Ementa:

Os fanzines (revistas independentes paratópicas) são essenciais fontes plurívocas de informação imagética à educação, e como quaisquer outras artes que possuem linguagem própria em suas estruturas, são produzidas por autores que refletem suas condições idiossincráticas, abordando suas condições antropológicas, históricas, geográficas, sociológicas, inserções políticas etc. Assim, como uma arte interdisciplinar experimental pelos que farão essa oficina, poderão tais professores a partir de textos próprios e/ou desenhos/fotos e outros, em quaisquer temáticas, criar material que pode ser diretamente trabalhado para resultar em um fanzine autoral, biográfico e/ou interdisciplinar. Poderão elaborar textos poéticos, crônicas, resenhas, contos, ilustrações desenhadas (ou por foto colagens), HQ, tiras, charges e/ou cartuns, além do que mais puderem criar, transformando tudo numa revista independente cujo formato livre pode ser o mais diversificado possível culminando num zine ou até num novo Artezine-objeto, como exercício criativo pleno de possibilidades interdisciplinares.

Público-alvo:

professores.

Carga horária e data: 6 hs em 3 dias

Objetivo:

O objetivo é que haja um reconhecimento teórico/prático e didático do universo rico e interdisciplinar dos paratópicos fanzines e suas implicações no ideário livre e criativo do ser humano.

Justificativa:

Um fanzine (ou zine) é um objeto de comunicação, uma revista (em geral) independente e auto-editada ou em cooperativa, através de fotocópias (“xerox”) ou off-set com o objetivo de dar livre acesso às idéias e expressões artísticas.

Apesar da versatilidade formal e de conteúdo dos fanzines, que favorecem um processamento criativo vantajoso aos seus criadores e leitores, são pouco conhecidos por parte da mídia em geral, e por muitos educadores. Zavan (2004) percebeu a importância dos zines, já que ocupam um terreno paratópico, ou seja, que está em “paralelo” à oficialidade da editoração de livros e revistas, contribuindo como um espaço para as pessoas se autopublicarem, independente de mercado ou permissões. Isto possibilita que muitos não se ressintam de expor suas idéias e expressões, impulsionando suas criatividades. Outro aspecto pouco conhecido concerne ao impacto que o fanzine pode causar na psique humana: tanto aos que os leem, como os que produzem, já que há uma variedade incrível de formatos (desde minúsculos a maiores que jornais), bem como temas, gêneros e estética, muitas vezes de vanguarda (fig. 2).

Fg3-cerebro triuno-De Gregori-1999-p24

De certa maneira, o zine representa uma materialização a partir de uma premência mental que parte do hemisfério direito cerebral (o criativo), o qual busca uma interação com o hemisfério esquerdo (que explica e organiza as idéias criativas), em que ambos se conectam à porção central reptiliana (responsável pelo pragmatismo), confluindo numa conjunção triádica necessária a um melhor funcionamento cerebral e mental, de acordo com a teoria de De Gregori (1999). Para este autor, a utilização proporcional das três vias traria um melhor equilíbrio à vida humana, já que ocorre um mau uso desproporcionado dos hemisférios (figura ao lado). Estas assertivas são corroboradas pelos estudos atuais graças à tomografia computadorizada que verificam as áreas e alocações que se ativam dependendo do tipo de ações e pensamentos que o ser humano deflagra (Andraus, 2006). Nesse ponto, a caoticidade criativa nos formatos e temas (além da visualidade e imagética) dos zines, incentiva o hemisfério direito, como o fazem as histórias em quadrinhos e imagens em geral.

Assim, a leitura, por exemplo, de imagens em histórias em quadrinhos (ou ideogramas chineses) ativam áreas do hemisfério direito do cérebro, distintamente da leitura estrita dos fonemas e dos textos lineares cartesianos, principalmente. As revistas e livros já têm formatações padronizadas, que possivelmente não trazem muitas novidades à mente humana, em contraponto aos formatos diferenciados e “caóticos” dos zines, como se viu. O fanzine se torna, assim, preponderante, pois supre a lacuna não incentivada pelos sistemas sociais vigentes, que pregam a “oficialidade” cartesiana obedecendo mais aos ditames (e)ditatoriais e educacionais, minimizando as possibilidades criativas.

Metodologia:

Amostragem de fanzines através de projeção de datashow, além de álbuns, livros e revistas (fanzines inclusos)

Material necessário:

Da instituição: sala, datashow com PowerPoint em PC com leitor de DVD e som

Dos alunos: papel e material de desenho e fotos (imagens para recortes -tesoura, cola etc)                                            

Conteúdo programático                                                     

¨      Resumo histórico do Fanzine

¨      Conceitos

¨      O biograficzine

gêneros: humor, anarquia, jornalismo, música, HQ, poesia, literatura, ficção científica etc

¨      Amostragem de alguns dos principais temas e zines e sua diversidade plural em formatos e criatividade; sua incursão mundial, as fanzinotecas, as exposições e sua importância como unificação e comunicação entre as pessoas do fanzinato

¨      O fanzine como Artezine

¨      acompanhamento da elaboração de um fanzine;

Bibliografia principal:

ANDRAUS, Gazy; SANTOS NETO, Elydio dos. Dos Zines aos BiograficZines: compartilhar narrativas de vida e formação com imagens, criatividade e autoria. In MUNIZ, Cellina (org.). FANZINES – Autoria, subjetividade e invenção de si. Fortaleza/CE: Editora UFC, 2010.

ANDRAUS, Gazy. “A independente escrita-imagética caótico-organizacional dos fanzines: para uma leitura/feitura autoral criativa e pluriforme.” no Caderno de Atividades e resumos do 17º. COLE – Congresso de Leitura do Brasil na Seção “Escritas, imagens e criação: Diferir 8”, p. 152. ISSN: 21750939. Campinas: Unicamp/FE; ALB, 2009.  http://www.cole.educacao.ws/resumos_det.php?resumo=1855

MAGALHÃES, Henrique. O que é fanzine. São Paulo: Brasiliense, 1993.

MAGALHÃES, Henrique. A nova onda dos fanzines. João pessoa: Marca de Fantasia, 2004.

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One Response to Oficina 1

  1. E para se inscrever nas oficinas, como será?

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