Mesa redonda

Mesa Redonda “Diálogos entre HQs e pesquisa: desafios para a criação de um novo campo de estudos”

1. Ivan Lima Gomes (Mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010). Atualmente é doutorando em História Social pela Universidade Federal Fluminense e  professor de Teoria e Metodologia da Universidade Estadual de Goiás)

Tema: Heróis e vilões na historiografia dos quadrinhos: estudos de caso

Passados cerca de quarenta anos desde a publicação dos primeiros estudos que privilegiaram os quadrinhos como objeto específico de análise, experimentamos hoje a consolidação definitiva das reflexões acadêmicas ligadas ao tema. Em um momento no qual os quadrinhos ganham maior visibilidade na cultura popular, a academia reforça esta presente tendência por meio de revistas internacionais, congressos, redes de pesquisadores e grupos de pesquisa que tomam os quadrinhos como objeto específico de estudo. Torna-se necessário, pois, debruçarmo-nos sobre a sua história – ou ainda, sobre como se escreveu sua história.  É nesta direção que segue a proposta de comunicação, desdobramento da pesquisa intitulada “História e historiografia da produção bibliográfica sobre quadrinhos no Brasil”, desenvolvida com apoio da Universidade Estadual de Goiás e da Universidade Federal Fluminense nos anos de 2011 e 2012. Procuro aqui  identificar e analisar a construção de uma memória historiográfica que considero presente no conjunto da produção de dois países: Brasil e Chile. Com isso, busca-se discutir algumas referências gerais que contribuíram para a elaboração intelectual de uma “memória historiográfica” e as suas características teórico-metodológicas. A partir desta crítica historiográfica vislumbra-se a construção de uma teoria da historiografia dos quadrinhos, com ênfase nas aplicações da noção de “cultura visual” em pesquisas de historiadores interessados no tema.

2. Dra. Geisa Fernandes (Observatório de Histórias em Quadrinhos ECA/USP)

Tema: Qual a importância da formação de uma rede de pesquisadores de histórias em quadrinhos?

A despeito das complexidades envolvidas no financiamento de pesquisas e realização de eventos voltados para a reflexão crítica e teórica sobre as histórias em quadrinhos, vários indicadores apontam para um campo em rápida expansão, considerado-se o número de trabalhos acadêmicos que tratam direta ou indiretamente de HQs. Os leitores aparentemente abandonaram o pudor de ler quadrinhos em ambientes ‘sérios’ e quadrinistas se tornam figuras conhecidas nas redes virtuais da web e combalido mercado editorial conseguiu sobreviver, por meio de uma série de estratégias inovadoras. No entanto é possível detectarmos uma resistência quanto ao investimento por parte das agências financiadoras de pesquisa as pesquisas neste campo. Com base nestas considerações, busca-se uma discussão a respeito das modalidades possíveis de parceria entre pesquisadores de histórias em quadrinhos, visando ao estabelecimento de uma rede de colaboração e ao incentivo à area.

3.  Fábio Vieira Guerra (Doutorando: Fábio Vieira Guerra (Doutorando– PPGH/UFF)

Tema: The History of comics:  Um balanço historiográfico dos EUA

Esta apresentação propõe elaborar um balanço bibliográfico sobre as histórias em quadrinhos nos EUA. A partir de um balanço das obras produzidas naquele país, foi possível verificar que desde a década de 1930 existem trabalhos dedicados aos quadrinhos americanos, também chamados de comics. Ao longo das décadas é possível perceber diversos eixos temáticos que utilizaram os quadrinhos como objeto de estudo. Assim, é possível investigar os diversos impactos sociais e políticos dos Estados Unidos, país onde a indústria desta forma de arte é amplamente difundida. Deste modo, podemos considerar as histórias em quadrinhos como uma grande fonte de estudo para historiadores para problematizar temas pouco trabalhados pela historiografia tradicional, bem como desenvolver abordagens pouco convencionais. Assim como também é uma nova fonte para entendimento dos processos simbólicos da sociedade, objetivando perceber a transposição do cotidiano para a narrativa das histórias, através da arte e da cultura, para a percepção de uma sociedade ou de uma época. Meu objetivo é trabalhar com a História do Tempo Presente, e demonstrar como as histórias em quadrinhos podem ser entendidas como crônicas da sociedade estadunidense, pois entendo que as narrativas das revistas de uma mesma editora estão interligadas e todas possuem uma forte continuidade. Ou seja, os eventos da narração não são isolados, permitindo que se tenha uma linha temporal de acontecimentos na história dos personagens.

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